A tecnologia estará cada dia mais inserida na nossa rotina, mas precisamos saber usá-la a nosso favor sem permitir que ela nos possua
Por Paula Drumond Setubal
Esqueci meu celular no táxi.
Tenho certeza de que você também já esqueceu. Talvez não no táxi, mas em qualquer outro lugar. E que naquele minuto em que você se deu conta sua vida passou diante dos seus olhos. Como se com aquele aparelho tivesse ido junto toda a sua vida.
Cheguei no consultório do médico, mas ele não. Metade de mim ficou para trás. Como avisar alguém? Eu sei mesmo o telefone de alguém? Existe vida sem celular? Logo eu, que me considerava tão analógica, me vi ali, despida. Onde coloco as mãos? O que faço enquanto aguardo nessa – infinita – espera? Nem revista Caras antiga existe por aqui mais. Quem será minha companhia? Eu mesma? Olho em volta e cada um se encontra perdido em seu universo particular, entretidos com seu próprio telefone. Não julgo, apenas observo, afinal, hipócrita que não sou, sei bem o que eu estaria fazendo caso ele estivesse ali.
Entro na consulta, até sei meu login e senha do laboratório, mas por segurança enviam um SMS para que eu confirme aquele login. Como pegar o SMS em um telefone que nem sei onde se encontra? Esperei meses por essa consulta e agora aqui estou eu, frustrada, sem exames em mãos.
Foi um fato curto, terminou tudo bem. Celular de volta, vida nos trilhos. Mas confesso que ficou ali um questionamento: Eu o possuo ou deixei ele me possuir? Ele existe para a minha comodidade ou me tornei dependente?
Leia mais em: forbes.com.br





Olá, deixe seu comentário para Tecnologia nos traz comodidade, mas pode tirar a liberdade